Tempo, tempo, tempo. Como te entender? Passa tão rápido nas horas boas e parece parar quando já não consigo mais suportar. E quando não consigo mais suportar, a hora de dormir não canso de almejar e aí então o dia parece se arrastar. Só queria que tu parasses mas junto com meu sofrimento, para que eu possa enfim respirar e organizar tudo aqui dentro. É tanta coisa junta que eu nem sei por onde começar e se nem eu entendo, como para os outros vou explicar? Perguntas e mais perguntas me fazem responder, mas lá no fundo ninguém quer realmente entender. É muito esforço oferecer compreensão e eles apenas oferecem a boa e velha educação. Eu sei que tudo vai passar, não perco as esperanças, pois afinal de tudo “quem acredita sempre alcança”.

Mil. No português, normalmente aparece como exemplo de hipérbole, exagero. “Tenho mil coisas para fazer”, “Já te falei mil vezes.” Mas e quando deixa de ser exagero, qual nome se dá? Mil palavras engasgadas, mil coisas pensadas ao mesmo tempo, mil arrependimentos. Há mil quilômetros de distância eu queria estar. Pensar por mim, sem influência de terceiros. Sem pessoas dizendo o que devo fazer o tempo todo. Afinal, o que há com as pessoas? Não resolvem seus problemas mas interferem nos dos outros como se elas que estivessem sob um turbilhão de emoções. Sossego, nos dias de hoje, talvez seja pedir de mais. Palpites sobrevoam nossos arredores. São como ventos fortes que se não fincarmos bem nossos pés no chão, nos carregam, e não para um bom lugar. Pensamentos confusos, ideias entrelaçadas, será que isso um dia vai passar? Só espero que não demore, e que o mil possa desapegar de mim.